Eu quero sete maridos
Um pra cada dia da semana
Na segunda, pra fazer compras comigo
Na terça quero ir ao cinema
Na quarta, quero café na cama
Frutas, torradas e suco de laranja
Na quinta, quero massagem
Na sexta, é dia de luau
Queijo, vinho e amigos numa roda
Sábado é dia de balada
Ouvir rock na noite paulista
No domingo, quero ler um livro
Assistir um filme e discutir
Sobre os mistérios entre o céu e a terra
Não quero dinheiro
Não busco estabilidade ou segurança
Tudo o que quero é um marido
Pra cada dia da semana
O primeiro pra cuidar da casa
O segundo pra dar risada
O terceiro pra provar que me ama
O quarto pra me fazer sentir mulher
O quinto pra me encantar como um príncipe
O sexto pra me distrair
O sétimo pra completar meu espírito
Não quero amar ninguém
Não quero ciúmes, não quero briga
Só o que quero é um marido
Um marido pra cada dia.
.
domingo, 13 de junho de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Quando uma idéia passa, uma idéia passa
Hoje comecei meu momento escrito rasgando a página do caderno dizendo “já era, quando uma idéia passa, uma idéia passa” .
Isso porque essa página continha anotações para um conto que eu não tive tempo de escrever. Talvez ficasse bom, talvez fosse uma droga. Costumo gostar de cerca de ¼ daquilo que escrevo.
As vezes, parece que a idéia tem seu tempo certo de maturação. Se nasce antes do tempo, não aflora e morre por falta de conteúdo. Se passa do ponto, nunca mais volta. Como o vento mais sublime que sopra, ou como a água que derramamos no chão, ou como amores de verão que deixamos de viver e nunca mais reencontramos.
É muito clichê falar da vida como Carpe Diem. Mas a verdade é que nada volta. Ao mesmo tempo, não podemos permitir que esse axioma torne nossa vida fútil.
O tempo não é uma esfera que dá voltas, mas sim, uma reta infinda e sem segunda dimensão e é por isso que qualquer estudo sobre universos paralelos é inútil.
Eu só me arrependo das lágrimas que deixei de derramar.
Marina Casadei
domingo, 7 de fevereiro de 2010
A Rosa
Já não posso compreender
Esse vazio que me corrói por dentro
Cegando meu desejo louco
De provar do teu doce veneno
Essa inquietude do meu espírito
Me move para o desconhecido
Com medo do que possa encontrar
Diante dos meus olhos cegos
Mas cegos não de cegueira ou de paixão
E sim de uma luxúria conivente
Com o estado inerte que me encontro agora
Não é de amor que quero falar
Tampouco de política ou tragédias
Nem poesia ou hipocrisia
Que parafraseia, eufêmica, nossa vida moderna
Quero falar de uma escolha
De um momento
De um desejo que anseio desconhecido
E que nunca fui buscar em tantos anos de história
Os pilares, raízes, os alicerces da vida
Um espírito inundado de belos sentimentos
E lembranças tristes da estrada de ladrilhos
Um sol que arde e queima a superfície árida
Dos desertos mais escaldantes
Brota uma rosa vermelha escarlate
É apenas um botão
Cheio de vida
E de néctar.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Samba
Choro não porque quero
Ou porque devo
Choro porque não resta
Mais nada
Choro vilões que
Mudam de nome
Choro a ganância
Domou a ética
Choro a natureza
Se rebelou
Choro porque só sei chorar
Eu poderia estar roubando
Poderia estar matando
Mas estou aqui
Humildemente
Chorando
Choro porque sorrir
É debochar
De um mundo que destrói
Seus horizontes
Choro a cura que
Não tem propósito
Choro Deus tem
Conta bancária
Choro a imagem que
Se perdeu
Choro líderes
Que não sabem nada
As crianças estão brincando
Os fiéis estão rezando
E o samba está aqui
Humildemente
Chorando
Marina Casadei
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Os outros...
Acho que o grande problema do mundo é que as pessoas olham pra si quando deveriam olhar para os outros.
E claro, olham para os outros quando deveria olhar para si.
(...)
E claro, olham para os outros quando deveria olhar para si.
(...)
domingo, 29 de novembro de 2009
O curioso caso de Benjamin Button
Nada termina como começa. Independente de como termina ou de como começa.
A verdade é que o tempo passa para todos.
Quando assisti O curioso caso de Benjamin Button pela primeira vez, não soube o que dizer. Eu estava no cinema com uma amiga e ela perguntou “o que você achou?” e eu respondi “não sei”. Ela perguntou “você gostou?” e eu repeti “não sei”.
Geralmente, baseio minhas opiniões naquilo que sinto em relação as coisas. E nesse caso, eu não conseguia entender o que havia sentido. Era algo como uma indiferença, mas que não era indiferente, porque eu não podia ignorar. Era vazio, mas um vazio cheio de algo desconhecido.
E pelo menos um ano depois, assisti o filme pela segunda vez. E já nas suas primeiras cenas, pude entender o que eu havia sentido no passado. Percebi que o desconhecido era, na verdade, uma identidade. A sensação de solidão, de otimismo, de tranqüilidade ao olhar para a vida, as descobertas que a rua nos traz, a pureza, a isenção de maldade, o perceber o quão as pessoas importam pelo que a perda delas representa, o dizer adeus, o apaixonar-se, as estranhas coincidências, a vida que cruza o caminho e deixa sua marca, a energia do mar.
Essa identidade também é o tempo passando. A vida correndo toda dentro de seu sistema biológico. E por mais que eu me sinta só uma poeira dentro desse sistema, as vezes sinto que o Universo se encerra nos meus olhos.
E então, eu me lembro da máxima de René Descartes Penso, logo existo.
E me lembro do memorável Álvaro de Campos quando diz Não sou nada, a parte isso tenho em mim todos os sonhos do mundo.
E as vezes, não sei distinguir o que é real e o que não é. E penso que não sei adotar um comportamento social porque não sei identificar as barreiras do cultural, emocional e da essência espiritual. Me sinto incompreendida, tentando imitar a sociedade para pertencer a ela, sem saber quem sou.
Me sinto o patinho feio. Me sinto Benjamin Button.
Marina Casadei
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