segunda-feira, 12 de abril de 2010

Quando uma idéia passa, uma idéia passa

Hoje comecei meu momento escrito rasgando a página do caderno dizendo “já era, quando uma idéia passa, uma idéia passa” .
Isso porque essa página continha anotações para um conto que eu não tive tempo de escrever. Talvez ficasse bom, talvez fosse uma droga. Costumo gostar de cerca de ¼ daquilo que escrevo.
As vezes, parece que a idéia tem seu tempo certo de maturação. Se nasce antes do tempo, não aflora e morre por falta de conteúdo. Se passa do ponto, nunca mais volta. Como o vento mais sublime que sopra, ou como a água que derramamos no chão, ou como amores de verão que deixamos de viver e nunca mais reencontramos.
É muito clichê falar da vida como Carpe Diem. Mas a verdade é que nada volta. Ao mesmo tempo, não podemos permitir que esse axioma torne nossa vida fútil.
O tempo não é uma esfera que dá voltas, mas sim, uma reta infinda e sem segunda dimensão e é por isso que qualquer estudo sobre universos paralelos é inútil.
Eu só me arrependo das lágrimas que deixei de derramar. 

Marina Casadei

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A Rosa

Já não posso compreender 
Esse vazio que me corrói por dentro
Cegando meu desejo louco
De provar do teu doce veneno
Essa inquietude do meu espírito
Me move para o desconhecido
Com medo do que possa encontrar
Diante dos meus olhos cegos
Mas cegos não de cegueira ou de paixão
E sim de uma luxúria conivente
Com o estado inerte que me encontro agora
Não é de amor que quero falar
Tampouco de política ou tragédias
Nem poesia ou hipocrisia
Que parafraseia, eufêmica, nossa vida moderna
Quero falar de uma escolha
De um momento
De um desejo que anseio desconhecido
E que nunca fui buscar em tantos anos de história
Os pilares, raízes, os alicerces da vida
Um espírito inundado de belos sentimentos
E lembranças tristes da estrada de ladrilhos
Um sol que arde e queima a superfície árida
Dos desertos mais escaldantes
Brota uma rosa vermelha escarlate
É apenas um botão
Cheio de vida
E de néctar. 



domingo, 10 de janeiro de 2010

Samba

Choro não porque quero
Ou porque devo
Choro porque não resta
Mais nada
Choro vilões que
Mudam de nome
Choro a ganância
Domou a ética
Choro a natureza
Se rebelou
Choro porque só sei chorar

Eu poderia estar roubando
Poderia estar matando
Mas estou aqui
Humildemente
Chorando

Choro porque sorrir
É debochar
De um mundo que destrói
Seus horizontes
Choro a cura que
Não tem propósito
Choro Deus tem
Conta bancária
Choro a imagem que
Se perdeu
Choro líderes
Que não sabem nada

As crianças estão brincando
Os fiéis estão rezando
E o samba está aqui
Humildemente
Chorando 


Marina Casadei

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Os outros...

Acho que o grande problema do mundo é que as pessoas olham pra si quando deveriam olhar para os outros.

E claro, olham para os outros quando deveria olhar para si.

(...)

domingo, 29 de novembro de 2009

O curioso caso de Benjamin Button


Nada termina como começa. Independente de como termina ou de como começa.

A verdade é que o tempo passa para todos.



Quando assisti O curioso caso de Benjamin Button pela primeira vez, não soube o que dizer. Eu estava no cinema com uma amiga e ela perguntou “o que você achou?” e eu respondi “não sei”. Ela perguntou “você gostou?” e eu repeti “não sei”.


Geralmente, baseio minhas opiniões naquilo que sinto em relação as coisas. E nesse caso, eu não conseguia entender o que havia sentido. Era algo como uma indiferença, mas que não era indiferente, porque eu não podia ignorar. Era vazio, mas um vazio cheio de algo desconhecido.


E pelo menos um ano depois, assisti o filme pela segunda vez. E já nas suas primeiras cenas, pude entender o que eu havia sentido no passado. Percebi que o desconhecido era, na verdade, uma identidade. A sensação de solidão, de otimismo, de tranqüilidade ao olhar para a vida, as descobertas que a rua nos traz, a pureza, a isenção de maldade, o perceber o quão as pessoas importam pelo que a perda delas representa, o dizer adeus, o apaixonar-se, as estranhas coincidências, a vida que cruza o caminho e deixa sua marca, a energia do mar.


Essa identidade também é o tempo passando. A vida correndo toda dentro de seu sistema biológico. E por mais que eu me sinta só uma poeira dentro desse sistema, as vezes sinto que o Universo se encerra nos meus olhos.


E então, eu me lembro da máxima de René Descartes Penso, logo existo.


E me lembro do memorável Álvaro de Campos quando diz Não sou nada, a parte isso tenho em mim todos os sonhos do mundo.


E as vezes, não sei distinguir o que é real e o que não é. E penso que não sei adotar um comportamento social porque não sei identificar as barreiras do cultural, emocional e da essência espiritual. Me sinto incompreendida, tentando imitar a sociedade para pertencer a ela, sem saber quem sou.


Me sinto o patinho feio. Me sinto Benjamin Button.


Marina Casadei

domingo, 22 de novembro de 2009

Presente

Nada como ver o nascer do sol
Num dia sem propósito.
E ver seus raios tocarem cada folha de árvore,
Cada grão de areia
E sua imagem refletida na praia
Como um grande espelho.
E quando o vento tocar em meu rosto
Sorrirei para ele em forma de gratidão.
E nesse dia, vou olhar para trás
E acreditar que tudo que passou, passou
E nenhum segundo voltará mais.
E vou erguer a cabeça e olhar para frente
Ciente de que o futuro nada mais é do que a ilusão da humanidade.
E nesse instante, vou firmar meus pés no chão
Ainda que seja na areia fofa
E ter a certeza de que existo
E que estou ali
Fazendo o meu presente acontecer.